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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A escolha do presidente

Peter Howson, The Last Supper, 1999

Não entendo bem a discussão sobre as pesquisas eleitorais no Brasil. Quase sempre todo o debate se faz em torno dos resultados das intenções de voto no primeiro turno. As simulações sobre o 2° turno, vem no final da notícia e às vezes nem constam do comunicado dos institutos de sondagem e dos jornais. Além disso, é difícil dispor de séries que permitam analisar a evolução das intenções de voto no 2° turno.
Ora, é o segundo turno que conta. Há anos que venho chamando a atenção para este ponto essencial.
Na França, onde a experiência sobre este tipo de escrutínio é antiga -, dado que os dois turnos são utilizados desde 1852 na esfera das eleições legislativas e desde 1965 nas presidenciais -, o debate é sempre sobre o segundo turno. Há casos em que o candidato vencedor do 1° turno perde a eleição, porque não tem mais aliados potenciais e reservas de votos para manter a liderança no 2° turno. Por isso, a migração dos votos do 1° para o 2° turno é analisada cuidadosamente.
A chamada do
UOL sobre a ùltima pesquisa do Ibope para as presidenciais, como de hábito, só destaca os resultados para o 1° turno. Todos os jornalistas, blogueiros, so comentam isso.Para citar um só exemplo : o jornalista do Estadão, José Roberto Toledo, que tem um blog sobre “pesquisas e idéias por trás dos números”, lista 10 pontos sobre as pesquisas para as presidenciais, mas nenhum dos pontos analisa o 2° turno. Nem adianta ir o sítio do Ibope, porque a sondagem não está publicada lá. Mas os comentários mais detalhados feitos por Márcia Cavallari, do Ibope, no Diário do Comércio, revelam um quadro preocupante para Dilma. Apesar de reduzir a vantagem de Serra no 1° turno, Dilma continua perdendo de longe para ele no 2° turno. Pior ainda, se Ciro Gomes retirar sua candidatura, Serra fica mais próximo de ganhar a eleição já no 1° turno. Isto tudo porque os eleitores de Ciro votam majoritariamente em Serra. Cito os números : « Na simulação sem Ciro, a situação para Serra melhora ainda mais. O governador tem 41% das intenções, Dilma 28% e Marina 10%. Os votos de Ciro migrariam para Serra (5%), Dilma (3%) e Marina (2%) ».
De uma maneira mais geral, a discussão sobre o caráter plebiscitário das eleições também me parece deslocada. A bipolarização e o enfrentamento direto entre os dois candidatos principais é o resultado natural, mecânico, da eleição de dois turnos. Pouco depende da intenção dos candidatos ou da estratégia de seus mentores.
P.S. Consegui achar o texto mais completo da pesquisa. O Ibope nem se preocupa em publicar as tabelas onde aparecem as migrações dos votos de Ciro e Marina num 2° turno Dilma x Serra. Mas tudo indica que a maioria dos 19% de votos de Ciro e Marina no 1°turno vai para Serra no 2° turno. Aparentemente, a maioria dos eleitores de Ciro e de Marina não quer conversa com o PT. Se continuar assim, a eleição està entregue: para o Serra!

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Poder ter poder

Foto da Reuters no Libération
Estas fotos de Sarkozy entrando no palais de l’Elysée de bermudas, vindo do seu jogging, um dia depois de sua posse na presidência, sugerem inevitávelmente ao leitor brasileiro a lembrança delle. Nos dias seguintes, o espalhafato em torno de Sarkozy, de sua família e de suas corridinhas em outros paradeiros presidencias pareceu confirmar o paralelo com elle. Decerto, Sarkozy entretem comportamentos de maquinação midiática que -, de John Kennedy (os vestidos chics de sua mulher, os passeios de veleiros em Cape Cod, a foto com o filho pequeno debaixo da escrivaninha) a Collor -, incorporaram-se ao exercício do poder contemporâneo. Aliás, nem tão contemporâneo assim. Quem conhece, mesmo sem ter lido, o assunto das Mémoires de Saint-Simon sobre a corte de Luís XIV (8 grossos volumes em papel bíblia da coleção La Pléiade, da Gallimard!), ou viu o magnífico documentário de Rosselini sobre a tomada do poder por Luís XIV, sabe que o espetáculo do poder é consubstancial ao exercício do poder.
Não obstante, o projeto de Sarkozy vai bem além das aparências modernosas e se inscreve no longo prazo.
De imediato, assinalo algumas tacadas dele que viraram o jogo pesadamente em seu favor e destabilizam o PS e a esquerda às vésperas da campanha para as Legislativas. A evocação da Resistência, e de um resistente comunista de 17 anos, Guy Môquet, fuzilado pelos nazistas em 1941; a viagem rápida a Berlim para encontrar Angela Merckel e tentar relançar a União Européia; as seis mulheres dirigindo ministérios importantes e outra ainda num ministério secundário; a principal, Rachida Dati, juíza e nova ministra da Justiça, é filha de um pedreiro marroquino e de uma argelina; a nomeação de Bernard Kouchner no ministério das Relações Exteriores e a adesão de outras personalidades socialistas ao governo. Falei um pouco disso no meu comentário semanal no UOL News e voltarei ao assunto.

domingo, 6 de maio de 2007

Vai com maio, ou sem maio?

Roy Lichtenstein, Drowning Girl, 1963, (reprod. modificada) © Museum of Modern Art, N.Y.
Em algumas horas, Sarkozy será o novo presidente da França. Talvez por dez anos, mas este é outro papo. Entre as coisas que tem sido ditas e escritas sobre a eleição, há o tema de maio de 1968, trazido à tona pelos ataques de Sarkozy à « herança » meia-oito. O Herald Tribune e jornais pelo mundo afora falaram nisso. No Le Monde, Dominique Dhombres ridicularizou a investida de Sarkozy. Não obstante, na semana que vem haverá gente proclamando, mais uma vez, a extinção definitiva de maio 68 e o sepultamento de seus restos nos quintos do inferno.
No que me cabe, quero distância do narcisismo geracional que se identifica à imagem botoxizada de um maio 1968 oba-oba e priápico. A direita também propaga esta imagem para reforçar a idéia de que tudo não passou de uma geral esculhambação. Como escrevi na
Folha há algum tempo, «De Bush ao diretor do Banco Mundial, Paul Wolfowitz (estudantes na época), até ao papa Bento 16 (professor em Tubingen), há toda uma camada de gente influente na Europa e nos EUA que guardou um rancor tenaz contra o "meia-oitismo".
Longe das caricaturas, maio é também, e sobretudo, a maior greve operária ocorrida num país desenvolvido no pós-guerra, é um movimento social e cultural que mudou o país. Estas e outras coisas estão ditas numa entrevista em que participei ao lado de gente ilustre (FHC, Paulo Arantes, Giannotti, Roberto Schwarz), em 1998, no trigésimo aniversário de maio. A entrevista foi publicada na Folha e ainda está no sítio do
Jornal do Commércio, de Recife (vim para a França em 1966, e não em 1996, como está escrito na entrevista).

sábado, 28 de abril de 2007

As saias de Ségolène e o pai de Sarkozy

David, Les Sabines, 1799 (detalhe) © Musée du Louvre/A. Dequier - M. Bard

Assisti ao debate de Ségolène com Bayrou. Ela não se saiu mal. No cara-a-cara ela está bem mais à vontade do que nos discursos. Bayrou foi educado.
Mas os comentários que ouvi pouco depois na mercearia da esquina não deixam dúvida: Ségolène é vítima da baixaria machista, a qual, como todo mundo sabe, não é praticada só pelos machos. Veio a história das fotos dela de bikini (e daí ?, será que ela tinha que usar macacão para ir à praia que ela sempre foi com os quatro filhos ?). Depois falou-se de suas saias. Supostamente, ela deveria usar terninhos masculizantes como os de Hillary Clinton, Condoleezza Rice, Angela Merckel, Michèle Bachelet ou a ministra da Defesa francesa, Michèle Alliot-Marie. Saia, só para mulheres nascidas em 1925, como Margareth Thatcher. Nascida em 1953, Ségolène vai em frente de saia. De vez em quando vem ainda a aporrinhação de que ela não é casada com o pai de seus quatro filhos, François Hollande. Sobretudo, fala-se e escreve-se que ela é despreparada. Passa-se batido sobre o fato de que ela foi três vezes ministra, formou-se nas faculdades da elite francesa,
etc.
Elaine Sciolino, a excelente jornalista do Herald e correspondente do NYT em Paris,
fala disso, e também das andanças de Cecile, a mulher de Sarkozy, contando coisas que devem deixar os leitores da gringolandia meio chocados. A correspondente do Le Monde nos States, Corine Lesnes, tira um pouco sarro da história toda no seu blog.
Entretanto, a presença de uma mulher no segundo turno não é o único dado novo na eleição. Listei alguns noutro
post, mas esquecí algo importante, e insuficientemente mencionado até agora: Sarkozy é o primeiro francês filho de imigrantes que tem a chance de se tornar presidente.
Seu pai vinha da pequena nobreza húngara e fugia da invasão da Hungria pela URSS, em 1944. Muito provavelmente, não terá encontrado as mesmas dificuldades que um imigrante analfabeto africano chegado na França em 1984, fugindo de uma invasão de ganhafotos ou da miséria na sua terra natal. Contudo, num país acusado, a torto e a direito, de racista, não é pouca coisa.
Se Sarkozy for eleito, será algo inédito numa grande democracia ocidental. Nos EUA há Schwarzeneggers governadores, mas não houve, no passado recente, Sarkozys presidentes. Michael Dukakis, filho de imigrante grego, foi batido por Bush pai nas presidenciais de 1988. No Brasil, salvo erro, o filho de imigrante que subiu mais alto pelo voto popular foi Paulo Maluf.
P.S. - Tem se falado que outros países já elegeram mulheres para a chefia de seus governos, salvo os EUA e a França, pátrias das duas grandes revoluções democráticas e dos direitos do homem. A historiadora Mônica Leite Lessa, num artigo em O Globo, interroga-se sobre este ponto. Contudo, é preciso tomar em consideração que as primeiro-ministras são, de fato, eleitas deputadas que posteriormente chefiam maiorias parlamentares. Enquanto Ségolène Royal e Hillary Clinton, eventualmente, serão eleitas diretamente presidentes. A única exceção nos nomes citados por Mônica é a social democrata Tarja Halonen, eleita em 2000 e reeleita em 2006 à presidência da Finlândia pelo voto direto. Mas na Finlândia, os poderes constitucionais do presidente são muito mais reduzidos do que na França ou nos EUA.

sábado, 21 de abril de 2007

Presidenciais francesas: o fim de uma época.

Alguns pontos de um artigo bem mais longo que escrevi para o caderno Aliás, publicado no « O Estado de São de Paulo » de domingo, dia 22 de abril.
- Esta é a oitava eleição presidencial direta francesa (elas ocorreram em 1965, 1969, 1974, 1981, 1988, 1995, 2002). Pela primeira vez, os três principais candidatos nasceram no pós-guerra. Pela primeira vez (salvo a exceção de 1974)
nenhum dos atuais candidatos ocupou ou ocupa o cargo de presidente ou de primeiro-ministro.
- Os dois principais candidatos, Sarkozy e Royal, tiveram que enfrentar sua própria máquina partidária antes de se afirmarem como presidenciáveis. Ambos contrariam a tradição de sua respectiva família política.
- Há uma evidente virada de geração. Três presidenciáveis beirando os cinquenta anos jogam para escanteio lideranças mais antigas e estreitamente incorporadas aos aparelhos partidários, como Villepin ou Jospin. Num país onde o atual presidente teve seu primeiro cargo ministerial há quarenta anos, não é pouca coisa.
- Como o PC virou suco – a candidata comunista obtém apenas 3% dos votos nas sondagens desta eleição – o PS fica sem ter para onde correr no segundo turno, porquanto o Partido Verde também desabou e os votos da extrema-esquerda não dão para o gasto. Ségolène, com o seu socialismo pós-nacional, tenta resolver a parada, saindo pelo centro e combinando reinvidicações tradicionais de esquerda (direitos trabalhistas, defesa do Estado de Bem Estar Social) com a temática mais conservadora ( sentimento patriótico, valores familiais e paz social).
- Sarkozy propõe soluções que também são heterodoxas para seu próprio campo. Contra a diplomacia gaullista e chiraquiana que enfrenta os EUA, ele propõe-se a estabelecer uma aliança mais alinhada com Washington. No plano nacional, ele defende uma liberalização da economia e a diminuição do peso do Estado francês.
- Há um novo embate político na França. À esquerda, apresenta-se a primeira mulher com chance de chegar à presidência, a qual afasta-se do militantismo herdado de maio de 1968 e orienta sua plataforma para o centro do espectro político. No campo conservador surge, pela primeira vez no pós-guerra, um líder verdadeiramente de direita, decidido a abandonar o gaullismo social para chegar mais perto do liberalismo econômico.

domingo, 15 de abril de 2007

As presidenciais francesas e o Brasil

Watteau, Pierrot (detalhe), c. 1718 © Museu do Louvre/A. Dequier - M. Bard

Há um sítio francês que resume todas sondagens sobre as presidenciais. Tanto a sondagem mais recente como a tendência geral das últimas semanas. A sondagem Ipsos de hoje mostra uma melhoria importante para Ségolène que, pela primeira vez desde 1° de março, tem cinco dias seguidos de alta nas opiniões de voto. As duas outras sondagens de hoje (CSA e Sofres) confirmam o seu avanço.
O New York Times traz uma grande reportagem na sua revista dominical sobre as banlieues
e as presidenciais francesas. Como sói acontecer nos últimos 100 anos, o autor promete que a divisão política entre a esquerda e a direita irá desaparecer em breve. O Los Angeles Times questiona a liderança de Sarkozy, lembrando que muitos eleitores ficam «assustados » com ele. Mas o jornal resume bem o interesse dos EUA, e do resto do mundo, nas eleições: « Qualquer que seja o vencedor, Washington está legitimamente preocupado sobre o andamento das relações franco-americanas e sobre a disposição do próximo governo francês para construir uma União Européia (UE) forte, capaz de auxiliar os EUA no Oriente Médio e alhures ».
Por seu lado, os jornais brasileiros continuam cobrindo a eleição francesa sem contextualisá-la no quadro da UE, como faz a imprensa européia e americana. Aliás, a cobertura no Brasil tem sido bem chinfrim.
Hoje, a uma semana da eleição, a Folha de S. Paulo -, diferentemente do Estadão, de O Globo e da maioria dos jornais de primeiro plano no resto do mundo -, não traz uma só linha sobre as presidenciais francesas.

sábado, 14 de abril de 2007

Eleições na França, nos EUA e no Brasil

Na França :
Patrick Jarreau, respeitado jornalista do
Le Monde, analisa a inexorável redução do papel do primeiro-ministro no sistema semi-presidencialista francês. Contra a letra da Constituição, o primeiro-ministro funciona, cada vez mais, como um super-despachante do presidente junto ao Parlamento. Villepin terá sido o "último primeiro-ministro" de verdade da França. O fato deveria ser meditado pelos defensores da introdução do semi-presidencialismo francês no Brasil. De maneira casuísta, os parlamentaristas brasileiros relançam periodicamente o tema, a despeito da acachapante derrota que sofreram nos plebiscitos de 1963 e 1993.
A campanha francesa atrai o interesse de estrangeiros. Katrin Bennhold, do
Herald Tribune, entrevistou conselheiros eleitorais americanos que vieram a Paris estudar as estratégias dos candidatos locais. Veredicto de Barbara Comstock, que integrou a campanha de Bush: Ségolène não devia ter posado de bikini. Ela ainda acrescentou: o único presidenciável dos EUA que não teria problemas se posasse de bikini é Barack Obama. Tirando a brincadeira, há um equívoco: Ségolène foi fotografada, de longe, numa praia onde vai há anos com seus quatro filhos. Os franceses tem bastante defeitos, mas não pecam por este tipo de moralismo.
Espantados com as particularidades político-eleitorais francesas, os americanos ficaram de queixo caído onde menos se esperava: diante do sítio internet de Sarkozy, julgado mais avançado que os sítios dos presidenciáveis nos EUA (o de Ségolène, menos incrementado, está aqui) .
Nos EUA
Editorial do
NYT saúda um passo decisivo para eliminar o sistema “fossilizado” de eleição presidencial nos EUA. A Maryland é o primeiro estado da União a votar uma emenda determinando que seus grandes eleitores -, chamados a eleger o presidente do país no Colégio Eleitoral -, votem no candidato que obtiver a maioria de votos na eleição direta nacional. Muita gente não engoliu ainda a eleição de 2000, quando Bush se elegeu –, do jeito que se viu -, perdendo por meio milhão de votos para Al Gore.
No Brasil
Editorial da
Folha definiu a fórmula oportunista que explica as manobras pelo fim da reeleição: PT + PSDB = Lula + (Serra ou Aécio) = 2015.
Kennedy Alencar detalha os motivos de cada uma das parte da equação. Também sou decidamente contra o fim do instituto da reeleição. Diante da reação negativa que a manobra vem causando, fiquei mais otimista. Talvez seja possível mobilizar a opinião pública para dar um basta no casuísmo. Voltarei ao assunto.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Sarkozy « ansiógeno » ?

Mais alguns dados sobre as eleições francesas pinçados nos jornais e nos debates da TV (há muitos, o dia inteiro, em vários canais e são sempre interessantes: vejo agora bastantes porque estou de férias na Universidade e trabalho em casa).
- Existe uma grande hesitação no eleitorado. Uma proporção importante de eleitores ainda não se decidiu ou oscila entre os três (!) primeiros colocados (Sarkozy, Ségolène e Bayrou). Os temas em debate mudam rapidamente e nenhum fixou a atenção por mais de 48 horas.
- Sarkozy continua folgado na frente das sondagens, como tem sido o caso desde janeiro. Tanto no primeiro como no segundo turno. A maioria do eleitorado é agora formada por gente mais idosa que vota sempre no candidato conservador, e votará em Sarkozy (os meia-oito, que já eram minoria em 1968, agora, depois de velhos, são mais minoritários ainda: no meio tempo-tempo, uns viraram casaca, outros viraram pó). Desse modo, até onde enxerga a vista, a eleição presidencial parece estar entregue.
- Mas Sarkozy assusta um pouco a generalidade dos eleitores, e mesmo os seus próprios partidários. Por que? Por causa de seu jeito meio tenso, ansioso, permanentemente agitado. Para definir este comportamento, o
Le Monde, citando militantes socialistas, usa uma palavra vinda da psicologia - « anxiogène » -, gerador de ansiedade, daria «ansiógeno» em português (como em italiano). Ou seja, Sarkozy ainda pode perder a eleição presidencial porque tem um temperamento «ansiógeno».
- No
Libération de hoje, Didier Eribon, figura interessante, ex-redator do jornal, sobrevivente meia oito e filósofo engajado (ele é autor, em particular, de uma celebrada biografia de Michel Foucault), comenta seu último livro « D'une révolution conservatrice et de ses effets sur la gauche française" e dá seu diagnóstico: Ségolène vai perder a eleição porque o PS abandonou a tradição meia oito e deixou de interpretar a sociedade francesa sob o prisma dos conflitos sociais e das clivagens de classe.

domingo, 8 de abril de 2007

As presidenciais na feira da Bastilha

A Primavera chegou bombando neste domingo de Páscoa. Fui cedo na feira da Bastilha. É uma das duas feiras perto da minha casa que costumo freqüentar (outro dia falo da outra feira: o marché d'Aligre). Havia estes ovos coloridos à venda. A tchurma da campanha eleitoral já estava lá.

Incertezas

Duas manchetes dos jornais de hoje expostos na feira definem o quadro atual da eleição. O Journal du Dimanche diz que a subida de Sarkozy nas sondagens é o resultado da « direitização » da sociedade francesa. Mas, o Parisien dá um dado que deixa ainda alguma esperança : no dia de hoje, duas semanas antes da eleição, 42% dos eleitores não sabem direito em que irão votar no dia 22 de abril.

Voto útil?

Este aí faz campanha há três semanas pelo « voto útil » em Bayrou. Com os seus cartazes e seu papo ele tenta explicar que o soi-disant centrista Bayrou é o único que pode derrotar Sarkozy no segundo turno. Por isso, segundo ele, é melhor votar Bayrou logo no primeiro turno. A lógica política e as sondagens dizem o contrário: no segundo turno, Bayrou captaria os votos da direita e ganharia contra Ségolène, mas perde contra Sarkozy porque não consegue atrair os votos de esquerda.
Em todo caso, na feira esta propaganda não está dando certo: na semana passada vi uma moça insultá-lo e hoje passou um cara bradando que era contra “quem pretendia salvar a esquerda fazendo-a perder a eleição”. Mas Ségolène tem ainda a ameaça do voto útil em Bayrou pairando no horizonte.

Trotskystas de ontem e de hoje

Dois velhotes trotskystas fazendo propaganda do jovem candidato trotkysta, Olivier Besancenot. Ele é o único dos candidatos da “esquerda de contestação” (mais interessada na pressão e na propaganda política, e distinta da « esquerda de governo », formada pelos Socialistas, Comunistas e, às vezes, pelos Verdes) com possibilidade de ter mais de 5% dos votos. O que lhe dará direito de ser reembolsado de boa parte de seus gastos de campanha.
A lei francesa diz o seguinte :
- Os gastos eleitorais são limitados. Um candidato não pode gastar mais de 16.166.000 € na campanha presidencial do primeiro turno, e mais de 21.594.000 € no segundo turno. Caso contrário, suas contas eleitorais serão rejeitadas e o reembolso parcial de seus gastos será bloqueado.
- Todos os candidatos do primeiro turno recebem 1/20 do teto do primeiro turno como reembolso (808.300€). Os candidatos obtendo mais de 5% dos votos recebem metade deste teto (8.083.000€).

terça-feira, 27 de março de 2007

Bye, bye, Chirac!

Outro dia, Jacques Chirac anunciou que não se recandidatava à presidência. Talvez, ele ainda descole um posto importante numa organização internacional. Mas, para todos os efeitos práticos, na França, sua carreira política terminou. Foi um longo percurso. Gente da minha geração passou sua vida inteira de adulto assistindo as peripécias de Chirac na política francesa. Na sua despedida, ele fez um discurso emocionado e comedido. Contudo, não deixou de enfatizar suas convicções anti-racistas, conclamando os franceses a rejeitarem toda forma de discriminação étnica ou cultural. Em seguida, os canais de TV chamaram os principais candidatos às presidenciais para comentar o discurso. Todos, salvo Le Pen (o qual disse que Chirac era o « seu pior inimigo », frase que deve ter sido recebida como um elogio por muitos chiraquianos), exprimiram consideração pelo presidente. Só não entendi porque Ségolène não retomou -, para endossar e acentuar -, o ataque de Chirac ao racismo e à intolerância cultural. Confesso que, nestas horas, me dá descrença e irritação com a candidatura dela.
Dentre os artigos que li a respeito da despedida, creio que um editorial do Boston Globe, retomado pelo
Herald Tribune, destaca-se, exprimindo bem o ponto de vista "New England" sobre o presidente francês.

sábado, 17 de março de 2007

Presidenciais na França: as razões do desengano

Tem sido notória a instabilidade eleitoral francesa. Nas presidenciais de 2002, todos os institutos de sondagem se enganaram no primeiro turno: Le Pen, e não Jospin, passou para o segundo turno vencido por Chirac com 82% dos votos. Porcentagem que por sí só já mostra a dimensão do disparate eleitoral. Agora surgem outras incertezas: três candidatos, Ségolène, Sarkozy e Bayrou embolam no final.
Alguns pontos para comprender o imprevisibilidade das presidencias francesas desde de 2002.
Em primeiro lugar, apesar de haver muitos candidatos, a equação das presidenciais tinha basicamente 4 parceiros: à direita, os gaullistas e os centristas, à esquerda, os socialistas e os comunistas. No segundo turno os dois eleitorados se juntavam em torno de seus respectivos líderes: a direita elegia gaullistas (De Gaulle em 1965, Pompidou em 1969, Chirac em 1995) ou centristas (Giscard d’Estaing em 1974), e a esquerda elegia socialistas com os votos do comunistas (Mitterrand em 1981 e 1988). Ao longo dos anos 1990, o Partido Comunista desabou, perdendo grande parte de seu eleitorado que constituia o tanque de reserva do candidato socialista no segundo turno.
O jogo agora tem essencialmente três parceiros, com os socialistas captando, sozinhos, a maioria dos votos de esquerda. Na extrema-esquerda, como na extrema-direita, um certo número de candidaturas congelam o voto de eleitores posicionados contra o sistema político ou ultra-nacionalistas, os quais, em boa parte, votam nulo ou se abstém (o voto não é obrigatório no país) no segundo turno.
Em segundo lugar, é preciso levar em conta os efeitos da vitória do “não” no referendo sobre a Constituição Européia, em 2005, que tirou o rumo dos partidos políticos. De fato, a direção dos três grandes partidos políticos e praticamente toda a grande imprensa, incluindo Libération, havia pregado o voto pelo “sim”. Desde então as direções partidárias estão inseguras sobre a orientação de seus filiados. Libération também pagou um preço por este desencontro com boa parte de seus eleitores, e este é um dos motivos da saída de Serge July da direção do jornal.

Os eleitores de esquerda que se abstiveram em 21 de abril de 2002 (quando Jospin foi eliminado no primeiro turno e Le Pen passou para o segundo turno) ou votaram “não” no referendo de 2005 sobre a Constituição Européia, ficaram pendurados na brocha. No plano nacional, não houve um agrupamento da extrema esquerda francesa. No plano europeu, o “não” acabou paralizando a construção européia e não deu em nada.
Desde logo, ninguém sabe direito o que vai acontecer nas eleições de abril.

O problema inédito de Ségolène Royal será o de carregar, praticamente sozinha, uma maioria eleitoral do primeiro para o segundo turno. No campo da direita, vai haver, a partir desta semana, um pega-pra-capar. Tudo indica que se Bayrou chegar ao segundo turno, ele reunirá os votos da direita e vencerá Ségolène. Mas ele perde a eleição se for para o segundo turno contra Sarkozy, pois não terá a maioria dos votos de esquerda. Além disso, seu eleitorado é mais volátil do que o dos outros dois candidatos e poderá, em parte, escolher Sarkozy no segundo turno. Assim, Bayrou deverá, a partir de agora, atacar prioritariamente Sarkozy. Ségolène poderá tirar proveito desta pauleira? Voltarei ao assunto.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Marx, a França e a Costa Rica


A propósito dos problemas gerados pela ofensiva do grande capital contra Ségolène Royal, vale lembrar a reflexão que ouvi de um sociólogo costa-riquenho, anos atrás no Cebrap:
“Pior do que ser explorado pelo capitalismo, é não ser explorado pelo capitalismo!”.
Trata-se de uma idéia marxista que vale para a França, para o Brasil, para Moçambique, para a Costa Rica e para Cuba, como parece estar descobrindo o grande irmão Raul Castro.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

O "mercado" atira em Ségolène

É isso aí ! Começou a campanha do patronato e dos banqueiros contra Ségolène Royal. No Financial Times, empresários franceses importantes agitam o espectro da fuga de capitais e da fuga de cérebros, caso a candidata do PS se torne presidente. Retomado por jornais europeus e americanos, um artigo da Bloomberg anuncia o aumento do “risco França” com a candidatura e o programa de Ségolène.
O presidente da Total acusa a proposta socialista de tributar os super-lucros das petroleiras de oscilar “entre o dogmatismo e o
populismo”. No editorial de hoje, Libération dá uma boa fubecada no dito cujo.
Nestas declarações, haverá alguma matéria de reflexão para os cientistas políticos e economistas que dizem e escrevem, no Brasil e alhures, que não há mais esquerda, nem direita.
Naturalmente, eles terão uma resposta toda pronta, usada pela direita francesa e ocidental desde os tempos de De Gaulle:‘a França é a exceção que confirma a regra: um país politicamente atrasado que se veste do mais encardido anti-americanismo’. Aliás, no século XIX já se dizia a mesma coisa, só que a increpação de “atraso político” vinha associada à anglofobia.
Ainda assim, trata-se de um dos grandes países industrializados e de uma das mais velhas democracias do mundo.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Ségolène e o socialismo pós-nacional


No post sobre Ségolène Royal, escrevi:«trata-se de uma mulher determinada, com convicções firmes, serão convicções socialistas? este é um assunto que abordarei noutra ocasião ».
Depois do lançamento de seu programa de governo, no domingo, dá para dizer o seguinte: Ségolène retoma o projeto tradicional do Partido Socialista e introduz sua visão pessoal da sociedade francesa. Tal é a análise quase unânime dos analistas nos canais de TV e dos principais jornais
franceses e europeus.
Do projeto socialista, ela guardou as propostas de consolidação do Welfare State francês. Frente às ameaças da globalização e a hegemonia do “pensamento único” anti-estatista e neo-liberal, não é pouca coisa. De fato, os direitos sociais que Ségolène quer ampliar (aumento do salário mínimo, de aposentadorias, direito à moradia, reforço dos serviços públicos), foram reduzidos ou eliminados na maioria dos países europeus. Donde, a observação desabusada do Financial Times: “os analistas acham que ela vai continuar os hábitos keynesianos da esquerda francesa, consistindo em lançar impostos e gastos [sociais]”.
Contudo, há outra parte do programa a ser considerada. No plano europeu, ela propõe uma interpretação mais social do Banco Central Europeu (BCE), inscrevendo “objetivos de emprego e de crescimento econômico” nos seus estatutos. No plano nacional, Ségolène – filha de um oficial do exército – insiste em pontos polêmicos: instauração de um serviço cívico para os jovens (não há mais serviço militar na França); centros educativos reforçados, com eventual enquadramento militar, para jovens delinqüentes. Sem excluir uma política mais generosa em relação aos imigrantes (facilidades para naturalização e o voto dos estrangeiros), seu programa prevê a criação de 500.000 empregos subvencionados para os jovens.
Os temas sublinhados são menos contraditórios do que parecem.
Tanto no caso do BCE, como na parte relativa aos serviços públicos, à família e ao civismo, há uma recentragem na preservação dos direitos adquiridos e da a identidade francesa.
Ségolène tira as lições de dois acontecimentos traumáticos. De saída, ela evita o disparate estratégico de Jospin em 2002: no primeiro turno, é preciso ganhar todo o eleitorado de esquerda e, só em seguida, com a presença assegurada no segundo turno, abrir propostas para os centristas. Segolène sabe também que -, desde o maciço “não” francês no referendo de 2005 sobre a Constituição européia (ver
mapa: em vermelho estão assinaladas as regiões que votaram “não) -, o país desconfia da União Européia (UE). Daí suas cutucadas no BCE e sua defesa dos valores da família, da cultura e da nação.
No fundo, sua plataforma configura uma candidatura de esquerda pós-nacionalista. O que é “pós-nacionalismo” francês (palavra que acabo de forjicar)? É a reafirmação dos valores e dos direitos sociais nacionais associada ao contexto do euro e da UE.
Até aqui tudo bem. Resta que, embora sendo boa debatedora, Ségolène é má oradora.
Penso que isso tem a ver com o voto distrital. Fazendo sempre campanha porta a porta, na roça, num distrito ralo de gente, ela nunca precisou botar muita voz nas suas eleições para o Parlamento.
Por isso, vendo Ségolène discursar com sua voz monocórdica e nasalisada, não consigo afastar o mau pressentimento de uma nova derrota da esquerda.

domingo, 28 de janeiro de 2007

A lembrança da pobreza


Houve, nestes dias, uma grande comoção na França pela morte do abade Pierre, o abbé Pierre, aos 95 anos. Padre capuchinho, membro ativo da Resistência francesa contra a ocupação nazista, o abade Pierre fundou depois da guerra o Movimento Emaús de ajuda aos pobres e aos sem-teto. Ganhando uma dimensão internacional, este movimento também está presente no Brasil.
Muitos estrangeiros, mesmo quando já moram aqui há muitos anos, não entendem bem o desconsolo demonstrado agora por franceses de todos os meios sociais.
Penso que este sentimento de perda tem uma dupla significação.
Por um lado, o abade Pierre representava o cristianismo social próximo do humanismo laico que cimentou a solidariedade entre os franceses durante a guerra e as dificuldades do pós-guerra. Esta corrente não logrou se transformar em movimento político e esvaiu-se em lutas partidárias e nas clivagens internas geradas pela Guerra Fria. A França de hoje aparece politicamente dividida, longe do abade Pierre e do clima de solidariedade militante vivido na Resistência e no pós-guerra. Sob a liderança de Le Pen, a extrema-direita eleitoralmente mais poderosa da Europa pode chegar de novo no segundo turno nas presidenciais em abril.
Por outro lado, na rememoração da vida e da militância do abade Pierre, com os canais de televisão mostrando as imagens da miséria em branco e preto das cidades e das zonas rurais nos anos 1940 e 1950, os franceses redescobrem seu país pobre e exaurido no pós-guerra. A tristeza pela morte do abade Pierre carrega a emoção da lembrança das penúrias pelo que o país passou num passado ainda recente.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Nicolas Sarkozy


Escolhido ontem como candidato da direita, Nicolas Sarkozy deu o pontapé inicial à campanha presidencial. Candidato oficial do partido de filiação gaullista - a UMP - Sarkozy não aparece, contudo, como um representante autêntico do gaullismo.
Quem encarna a doutrina gaullista – tanto na afirmação da independência nacional frente à hegemonia americana como na defesa de políticas sociais - é o primeiro-ministro Dominique de Villepin. Rival de Sarkozy, Villepin ilustrou-se na sessão do Conselho de Segurança da ONU, opondo, em fevereiro de 2003, o veto da França à guerra anglo-americana contra o Iraque.
Suas medidas de políticas públicas – agora evidenciadas pela afirmação de um “direito à moradia” inscrito na legislação ao mesmo título que o direito à saúde ou o direito à escola – aproximam-se do gaullismo social propugnado pelo ex-primeiro-ministro Chaban Delmas (1969-1972) e seguido, num nível mais retórico, por Jacques Chirac.
Situado noutro quadrante, Sarkozy vem restabelecer o primado direitista da ‘Lei e da Ordem’, tal como o fizera o ex-presidente
Georges Pompidou (1969-1974) ou o ex-primeiro-ministro Raffarin (2002-2005). Numa viagem recente aos EUA, Sarkozy fez críticas indiretas à maneira pela qual o governo francês conduz as relações franco-americanas. No plano interno, ao contrário de Chirac e de Villepin, que opõem-se frontalmente à extrema-direita de Le Pen, Sarkozy tenta aliciar o eleitorado lepenista com um discurso duro sobre questões de ordem pública e de sociedade.
Por isso, o Partido Socialista e o comando de campanha de Ségolène Royal desferiram, de bate-pronto, seu ataque adrede preparado: para eles, com a candidatura Sarkozy, “a direita violenta está retornando ao galope”. “Há algo do Berlusconi neste homem”, completou Dominique Strauss-Kahn, um importante dirigente socialista.
A estratégia da esquerda é óbvia: atrair uma parte do eleitorado gaullista, partidária de Villepin e de Chirac e arisca ao conservadorismo de Sarkozy, para a candidatura de Ségolène Royal.
Tal vai o ser o quadro do debate eleitoral francês até a eleição presidencial de abril. Voltarei ao assunto, é claro.

domingo, 26 de novembro de 2006

Ségolène Royal


Hoje, o Partido Socialista ratificou, numa convenção em Paris, a candidatura de Ségolène Royal à eleição presidencial do mês de abril de 2007. Vou voltar ao assunto ao longo dos próximos meses. Desde já, registro algumas observações.
- Ségolène Royal não é a Hillary Clinton francesa, como disse, por exemplo, uma reportagem do site americano
Salon. Ségolène milita no PS há 30 anos e tem um biografia política bastante distinta da carreira de seu companheiro, François Hollande, deputado e principal dirigente socialista. Ela já foi ministra três vezes (ele não foi nenhuma), é deputada desde 1988 e ocupa agora um dos governos regionais franceses, cargo ao qual Hollande nunca foi eleito. Na corrida à candidatura presidencial, ela deu nele de dez a zero. Hillary, ao contrário, cresceu na política à sombra de Bill Clinton.
- Embora tenha vindo de uma família numerosa, de poucas posses e de uma cidadezinha da Alsácia, Ségolène integrou-se ao establishment parisiense. Diplomada em Sciences Politiques, em Economia e em Direito, ela é – ainda e sobretudo – formada pela ENA (Ecole Nationale d’Administration). Puro produto do sistema meritocrático francês – armado pelos concursos que abrem o acesso às Grandes Ecoles – Ségolène seguiu o percurso universitário da elite que tem governado o país desde o fim da Segunda Guerra. Parte de sua astúcia consiste em se desmarcar do establishment, quando lhe convém.

- Alguns canais de TV parisienses mostraram hoje entrevistas e declarações de Ségolène filmadas nos últimos 20 anos. O balanço destas recapitulações impressiona: trata-se de uma mulher determinada, com convicções firmes (serão convicções socialistas? este é um assunto que abordarei noutra ocasião). Nada a ver com a imagem de despreparada que seus rivais de esquerda e de direita andam espalhando.
- As duas primeiras viagens ao exterior que ela fará, como candidata do PS, serão no Brasil e na África do Sul. Como tudo o que ela vem fazendo é sempre algo muito estudado, o itinerário indica que a amizade com Thabo Mbeki e com Lula traz dividendos para a candidata da esquerda francesa. Indica também que diante da tranqueira em que se entalou a União Européia, a França procura outras alianças no campo internacional.