
Há uns dias, o ex-presidente Itamar Franco deu uma entrevista à revista Época. O tema de suas declarações é a acusação de que Lula enfraquece o Legislativo. A idéia tem fundamento e Itamar poderia justificá-la de várias maneiras. Porém, ele envereda num raciocínio tortuoso que ilustra a deferência com a qual boa parte da elite política trata a ditadura.
Cito sua explicação sobre a atitude de Lula frente ao Legislativo.
“Primeiro, o presidente foi um parlamentar obscuro. Como parlamentar, ele qualificou que lá havia 300 e tantos picaretas. Esquecendo que ele também estava lá...Como a pessoa [Lula] não conhece a história democrática do país... Ele não tem a mínima consideração pelo Legislativo. Quando o presidente tenta impedir uma CPI, como foi a CPI da Petrobras, é outra interferência indevida. No regime militar, em 1975, havia uma questão tão importante para o presidente Geisel quanto a Petrobras hoje: era o acordo nuclear (do Brasil com a Alemanha Ocidental). Numa proposta do então senador Paulo Brossard, criou-se uma CPI para examinar o acordo. E a CPI não foi impedida, apesar de ser um regime militar. E era igualzinho hoje: nós éramos 3 senadores da oposição e 8 do governo. E mais ainda: se permitiu que um senador da oposição, coincidentemente eu, presidisse a CPI. Aqui, não. Com um erro que nem os militares fizeram: o presidente e o relator (da CPI da Petrobras) são do governo.”
Hoje, Itamar retomou seus argumentos numa entrevista do Estadão, que teve repercussão na Folhaonline
Como muita gente, e talvez mesmo, a maioria dos brasileiros, Itamar chama o período mais sinistro e autoritário de nossa história nacional de “regime militar”. Por isso, ele pode partir para este tipo de comparações extravagantes.
Assim, a idéia que a ditadura – responsável pela cassação, encarceramento e exílio de parlamentares, pela tortura e assassinato de ex-parlamentares, pelo fechamento do Congresso e a proibição dos partidos políticos – seria liberal, é propagada por um velho senador da República. Por um ex-presidente que gaba-se de conhecer a “história democrática do país”. É o passado que não passa. Itamar pensa que a ditadura faz parte de uma normalidade institucional alternando períodos democráticos e períodos de pura boçalidade. Itamar pensa que no Brasil a democracia é contingente.
Cito sua explicação sobre a atitude de Lula frente ao Legislativo.
“Primeiro, o presidente foi um parlamentar obscuro. Como parlamentar, ele qualificou que lá havia 300 e tantos picaretas. Esquecendo que ele também estava lá...Como a pessoa [Lula] não conhece a história democrática do país... Ele não tem a mínima consideração pelo Legislativo. Quando o presidente tenta impedir uma CPI, como foi a CPI da Petrobras, é outra interferência indevida. No regime militar, em 1975, havia uma questão tão importante para o presidente Geisel quanto a Petrobras hoje: era o acordo nuclear (do Brasil com a Alemanha Ocidental). Numa proposta do então senador Paulo Brossard, criou-se uma CPI para examinar o acordo. E a CPI não foi impedida, apesar de ser um regime militar. E era igualzinho hoje: nós éramos 3 senadores da oposição e 8 do governo. E mais ainda: se permitiu que um senador da oposição, coincidentemente eu, presidisse a CPI. Aqui, não. Com um erro que nem os militares fizeram: o presidente e o relator (da CPI da Petrobras) são do governo.”
Hoje, Itamar retomou seus argumentos numa entrevista do Estadão, que teve repercussão na Folhaonline
Como muita gente, e talvez mesmo, a maioria dos brasileiros, Itamar chama o período mais sinistro e autoritário de nossa história nacional de “regime militar”. Por isso, ele pode partir para este tipo de comparações extravagantes.
Assim, a idéia que a ditadura – responsável pela cassação, encarceramento e exílio de parlamentares, pela tortura e assassinato de ex-parlamentares, pelo fechamento do Congresso e a proibição dos partidos políticos – seria liberal, é propagada por um velho senador da República. Por um ex-presidente que gaba-se de conhecer a “história democrática do país”. É o passado que não passa. Itamar pensa que a ditadura faz parte de uma normalidade institucional alternando períodos democráticos e períodos de pura boçalidade. Itamar pensa que no Brasil a democracia é contingente.
P.S.Para complementar este tópico, leia-se o perfil do senador Marco Maciel publicado na Carta Capital do dia 28/08. A jornalista Cynara Menezes, autora do artigo, menciona que o “monge do Parlamento” (sic) pertenceu à Arena. Mas não diz que ele foi um fiel serviçal da ditadura. Assim, o “monge” presidia a Câmara dos Deputados quando o ditador Geisel decretou o “Pacote de Abril” (13/04/1977), fechando o Congresso e instaurando truculências (como os senadores biônicos) que prolongaram o regime autoritário no Brasil. A jornalista pensa que a maior qualidade moral do senador pernambucano reside na modéstia de seu patrimônio, após 50 anos de vida pública. Para ela, desde que não se roube, está tudo bem.










