Hoje, no The Observer -, edição dominical do jornal britânico The Guardian -, há uma boa reportagem sobre a morte por anorexia da modelo brasileira Ana Carolina Reston.
Tom Phillipps, o autor da matéria, escreve muita coisa interessante sobre o assunto. Mas não reflete sobre o fato de que a estetização da magreza existe há bastante tempo na indústria da moda. Começou justamente em Londres, nos anos 1960, como comentei aqui, mencionando o caso da magra Twiggy, a topmodel do Swinging London.
De uma maneira geral, o artigo ilustra uma prática jornalística pouco seguida na imprensa brasileira: a reportagem de fundo, preparada num largo espaço de tempo e amadurecida por considerações que lançam novas luzes sobre um determinado evento.
P.S. - Hoje, 19/01/2007, foi a vez do Libération abordar o assunto, num dossiê com testemunhos de várias modelos brasileiras.
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domingo, 14 de janeiro de 2007
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
Gordos e Magros
A morte trágica de uma modelo brasileira chamou a atenção para os dramas da anorexia e das perturbações alimentares entre os jovens. Falou-se da cretinice e da cupidez das agências de moda que usam os corpos de moças esqueléticas como padrão de beleza. O assunto é recorrente. Nos Sixties, os médicos já se preocupavam com os efeitos da moda magrela e escoliótica lançada por Twiggy, a maior de todas as topmodels inglesas, mesmo que a palavra 'topmodel' nem existisse ainda.
Entretanto, no outro quadrante, será que os personagens dos sitcoms e dos filmes da TV americana não passam a imagem de que todos os gordos são saltitantes e bem dispostos, disfarçando os distúrbios do excesso de pêso? Não me refiro aos gordos que se cuidam e são saudáveis ou a quem engordou por problemas de saúde. Mas há, sabidamente, uma pandemia de obesidade gerada pelos maus hábitos alimentares e a sedentaridade urbana. Sua expansão é constante. Outro dia noticiou-se que povos indígenas das Américas, da Ásia e do Pacífico estão sendo crescentemente vitimados pela obesidade e a diabete do tipo 2, causadas pela introdução de hábitos ocidentais de sedentarismo e de comidas saturadas de açúcar e gordura.
Hoje, no caminho pelo Quartier Latin para chegar à Faculdade, dei-me conta que havia cruzado com vários parisienses (descontei os que pareciam turistas) gordos. Acho que há alguns anos os gordos eram mais raros nas ruas de Paris.
Pelas praias brasileiras, onde tenho andado nas férias dos últimos anos, em Salvador, Maceió, Rio e Florianópolis, também vejo cada vez mais gente gorda. Reportagem da revista Carta Capital informa que uma pesquisa divulgada nêste mês, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), demonstra que 49,7% dos trabalhadores da indústria brasileira estão acima do peso ideal e 26,3% deles têm problema de hipertensão arterial. No Brasil, a obesidade parece avançar num ritmo mais rápido que o ritmo do recuo da fome.
P.S. Assinalo um novo campo de pesquisa acadêmica, os Fat studies. Ou seja, os estudos universitários americanos -, calcados nos modelos de estudos sobre as minorias políticas e sociais, como os African-American studies e os Gender studies -, que analisam os temas relativos às pessoas gordas na sociedade e na cultura contemporânea. Já existe uma antologia sobre a pesquisa na área, reunida no livro "Fat Studies Reader", organizado por Sondra Solovay e Esther Rothblum, da San Diego State University.
Entretanto, no outro quadrante, será que os personagens dos sitcoms e dos filmes da TV americana não passam a imagem de que todos os gordos são saltitantes e bem dispostos, disfarçando os distúrbios do excesso de pêso? Não me refiro aos gordos que se cuidam e são saudáveis ou a quem engordou por problemas de saúde. Mas há, sabidamente, uma pandemia de obesidade gerada pelos maus hábitos alimentares e a sedentaridade urbana. Sua expansão é constante. Outro dia noticiou-se que povos indígenas das Américas, da Ásia e do Pacífico estão sendo crescentemente vitimados pela obesidade e a diabete do tipo 2, causadas pela introdução de hábitos ocidentais de sedentarismo e de comidas saturadas de açúcar e gordura.
Hoje, no caminho pelo Quartier Latin para chegar à Faculdade, dei-me conta que havia cruzado com vários parisienses (descontei os que pareciam turistas) gordos. Acho que há alguns anos os gordos eram mais raros nas ruas de Paris.
Pelas praias brasileiras, onde tenho andado nas férias dos últimos anos, em Salvador, Maceió, Rio e Florianópolis, também vejo cada vez mais gente gorda. Reportagem da revista Carta Capital informa que uma pesquisa divulgada nêste mês, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), demonstra que 49,7% dos trabalhadores da indústria brasileira estão acima do peso ideal e 26,3% deles têm problema de hipertensão arterial. No Brasil, a obesidade parece avançar num ritmo mais rápido que o ritmo do recuo da fome.
P.S. Assinalo um novo campo de pesquisa acadêmica, os Fat studies. Ou seja, os estudos universitários americanos -, calcados nos modelos de estudos sobre as minorias políticas e sociais, como os African-American studies e os Gender studies -, que analisam os temas relativos às pessoas gordas na sociedade e na cultura contemporânea. Já existe uma antologia sobre a pesquisa na área, reunida no livro "Fat Studies Reader", organizado por Sondra Solovay e Esther Rothblum, da San Diego State University.
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