quarta-feira, 7 de novembro de 2007

OS MASSACRES DE 1937

Como já escrevi abaixo, não tenho a menor simpatia por Putin. Todos os democratas da Rússia, Oropa e Bahia têm mêdo do autoritarismo deste ex-meganha do KGB. Mêdo que ele feche ainda mais o frágil sistema político russo. Mas, na semana passada, o homem prestou um serviço relevante ao seu país e à democracia. Homenageava-se as milhares vítimas dos massacres perpetrados em 1937 por Stalin. Num discurso em Butovo, perto de Moscou, onde milhares de pessoas – camponeses, operários, intelectuais, donas de casa – foram fuziladas, Putin lembrou as vítimas e afirmou que estas tragédias acontecem quando “idéias ostentivamente atrativas mas vazias são postas acima de valores fundamentais, valores da vida humana, de direitos e de liberdade”. O New York Times fez um editorial sobre o assunto, retomado no Herald Tribune. Outros jornais também falaram nisso.
No Brasil este tipo de notícia não atrai a atenção de nenhum editorialista. A propósito, lembro-me de ter visto num canal brasileiro uma longa entrevista de Prestes. De 1931 a 1934, ele vivia na URSS e trabalhava lá como engenheiro. No meio da entrevista ele disse que o período – que desembocaria nos grandes massacres de 1937-1938 - era complicado porque havia “muita sabotagem” nas obras feitas na URSS. Putizgrila! “Muita sabotagem” era precisamente o termo usado por Stalin e sua polícia para justificar matanças pelo país afora. A coisa era assim: uma equipe de engenheiros e operários fazia uma ponte com prazo marcadinho para acabar, mas não havia cimento na quantidade certa. Com mêdo de ir para o Gulag, os caras terminavam a ponte de qualquer jeito. Aí, quando ela rachava, todo mundo era fuzilado sob a acusação de “sabotagem”. Prestes falou em “sabotagens” na maior cara limpa e o entrevistador (não me lembro quem era) nem piou. A entrevista continua passando nos canais aí no Brasil. A moçada e os velhos desinformados engolem numa boa a mentira criminosa de Prestes e a omissão do entrevistador.
O cartaz acima é tirado do blog do jovem russo
Alexander Zakharov, onde há uma grande coleção de cartazes da URSS. Tirei a informação do Le Monde.

6 comentários:

Paloma Fonseca disse...

Olá, professor. Talvez não tenha surgido nenhum editorial aqui no Brasil porque é menos conhecido que o extermínio de judeus pelos nazistas (palpite meu, de quem não está por dentro das pautas dos jornais). Mas de acordo com a Hannah Arendt, em seu conceito de totalitarismo, o regime de Stalin e o de Hitler eram areia do mesmo saco.

Tales disse...

Penso que Putin fez esse pronunciamento pra jogar com a platéia, não passa de blefe. O cara não ia mudar de uma hora pra outra assim, sem mais nem menos. É tudo propaganda, de nona!

klaxonsp disse...

Luiz,

o entrevistador creio ter sido Roberto D"avilla...

Anônimo disse...

luis felipe, tudo bem?
muito bom o seu blog, creio que começarei a frequentá-lo assíduamente.
abraços!

Crespo do Demo disse...

Medo não tem acento! Nem assiduamente como diz o comentarista aí de cima...

Anônimo disse...

olha "crespo do demo" lhe darei uma pequena satisfação. é o seguinte: além de um pouco preguiçosa eu tomo medicamentos fortíssimos para neurite herpética o que faz com que eu não tenha muita segurança ao teclar e a mão escorrega e as vezes não presto atenção,pois sou deficiente auditiva e não consigo ouvir nem um recado que o pc fala.
Tudo bem ?
Abraços