domingo, 15 de abril de 2007

As presidenciais francesas e o Brasil

Watteau, Pierrot (detalhe), c. 1718 © Museu do Louvre/A. Dequier - M. Bard

Há um sítio francês que resume todas sondagens sobre as presidenciais. Tanto a sondagem mais recente como a tendência geral das últimas semanas. A sondagem Ipsos de hoje mostra uma melhoria importante para Ségolène que, pela primeira vez desde 1° de março, tem cinco dias seguidos de alta nas opiniões de voto. As duas outras sondagens de hoje (CSA e Sofres) confirmam o seu avanço.
O New York Times traz uma grande reportagem na sua revista dominical sobre as banlieues
e as presidenciais francesas. Como sói acontecer nos últimos 100 anos, o autor promete que a divisão política entre a esquerda e a direita irá desaparecer em breve. O Los Angeles Times questiona a liderança de Sarkozy, lembrando que muitos eleitores ficam «assustados » com ele. Mas o jornal resume bem o interesse dos EUA, e do resto do mundo, nas eleições: « Qualquer que seja o vencedor, Washington está legitimamente preocupado sobre o andamento das relações franco-americanas e sobre a disposição do próximo governo francês para construir uma União Européia (UE) forte, capaz de auxiliar os EUA no Oriente Médio e alhures ».
Por seu lado, os jornais brasileiros continuam cobrindo a eleição francesa sem contextualisá-la no quadro da UE, como faz a imprensa européia e americana. Aliás, a cobertura no Brasil tem sido bem chinfrim.
Hoje, a uma semana da eleição, a Folha de S. Paulo -, diferentemente do Estadão, de O Globo e da maioria dos jornais de primeiro plano no resto do mundo -, não traz uma só linha sobre as presidenciais francesas.

3 comentários:

Márcia W. disse...

Professor,
Quem já viu rato virar morcego deve acreditar no fim da divisão esquerda-direita....

Padre bernardo disse...

Concordo marcia. Como diz bourdieu, a diferença esquerda-direita esta na relaçao com a ordem, e essa diferença fundamental é inabalavel. Mas é preciso lembrar que a esquerda, a verdadeira, nao é verde e amarela, é vermelha! é curioso ver o quanto sarkozy assusta os franceses e o quanto os americanos riram com o bush....

Fabiane disse...

Falando em chinfrim, pois veja, no meio dessa pasmaceira de cobertura, o ridículo comentário do Clóvis Rossi hoje na Folha. E ele fala em liberal. A diferença é que quando a galera quebra tudo aí o prefeito pede desculpas na TV e aqui tudo é desculpa pra mobilizar a "patriotada" verde-amarela à direita pra descer o pau em todo mundo.