terça-feira, 28 de novembro de 2006

Zumbi dos Palmares V


Afigura-se, desde logo, uma hipótese libertária. O Quilombo de Palmares terá representado a refundação da comunidade ancestral africana, anterior ao cataclismo do tráfico atlântico, organizada em torno de palmeirais que garantiam as bebidas extraídas da flora, o poder e o gozo da liberdade? É possível. Não topei com nenhum texto aventando o uso entre os insurretos da serra da Barriga da palavra palmares em quimbundo (máie), em kicongo (máia) ou noutra língua centro-africana. Mas Blaer, comandante da expedição holandesa lançada contra Palmares em 1645, assinala o uso sistemático da palmeira, do tipo conhecido na região como catulé, no cotidiano dos quilombolas. Coberturas para as casas, camas, comida, azeite alimentar, cachimbos e “uma espécie de vinho”, ou seja, uma bebida análoga ao malafo, eram extraídos das palmeiras-catulés.

As notas e referências bibliográficas sobre este assunto estão nas pp. 311-313 do meu livro “O Trato dos Viventes”. Por enquanto, registro apenas esta "hipótese libertária". Mas fica lançada a idéia para que outros continuem a pesquisa.

2 comentários:

Anônimo disse...

Suzana

sempre achei essa coisa toda de Zumbi meio machista

Rita K disse...

Você vai gostar de saber, e os outros leitores também: um antigo quilombo em SP, acho que na região de Ubatuba, estava sendo ocupado por um projeto de hotel ou de condomínio, mas foi desapropriado e devolvido às famílias descendentes dos quilombolas. Parece que foi uma decisão inédita no Brasil. Tomara que não seja a única!