quinta-feira, 13 de março de 2008

Buenos Aires?


Chega hoje no Brasil, para uma visita oficial de dois dias, Condoleezza Rice. Vai à Brasília encontrar Lula, conversar sobre etanol, Oriente Médio, Chávez, Uribe y otras cositas más. Depois vai para a Bahia, cada vez mais legitimada como capital da Afro-América. Eliane Catanhêde que, junto com Jânio de Freitas, foi a única jornalista a salientar a importância do encontro Países Árabes-América do Sul organizado em Brasília em 2005 (e escarnecido pelo restante da mídia), faz um comentário bem centrado sobre a viagem de Rice. Mas, salvo engano, não há nenhuma notícia nos jornais brasileiros sobre um ponto essencial, analisado pelo New York Times: Condoleezza renova o gelo que os EUA davam na Argentina de Nestor Kirchner, evitando encontrar-se com Cristina Kirchner, eleita há pouco tempo. Ela irá ainda ao Chile, mas não passa por Buenos Aires. !Assim reiterada, a crise entre Washington e Buenos Aires assume proporções inéditas nas relações entre os dois países. Fato que dá outro destaque à situação diplomática do Brasil. Ao não dar por isso, o jornalismo brasileiro consolida o analfabetismo sobre assuntos internacionais existente na opinião pública nacional. Quase todas as matérias importantes sobre política internacional publicadas na imprensa brasileira são traduzidas dos jornais americanos e europeus. E podem ser lidas na véspera nos próprios sítios destes mesmos jornais pelos leitores brasileiros mais curiosos.

3 comentários:

João Sebastião Bar disse...

Caro Prof. Alencastro,

Muita boa observação, mas nem as matérias mais interessantes sobre o Brasil saem primeiro nos jornais da grande mídia, por exemplo, a matéria de hoje do Globo (sem destaque pela mídia, claro querem é barrar) com Ignacy Sachs, mas ele ja falou no blog do Nassif e IEA da USP e por ai vai, parafraseando a Sonia Racy (sic), a alternativa e a grande mídia são os blogs com conteúdo e criticas necessárias.
Sobre a economia o PIB só surpreende os pessimistas. Ano passado eles começaram prevendo crescimento do PIB em 3,5% ao longo do ano foram mudando ate que admitiram no fim do ano entre 4,5% e 5%
Este ano começou a ladainha novamente com previsões de 4% e 4,1% e hoje dizem que revisaram para 4,5% e 4,6% . Jornalismo para inglês ver, ou como diria PHA, “colonistas” do PIG.
Olhemos a frente, os sinais estão no ar, imaginemos o Lula com o futuro pres. do império (Obama?) equacionar a situação da crise política EUA-Cuba, digna de um Nobel da Paz. Será uma situação insuportável para eles, por isso eles querem ver o circo pegar fogo, com crise, com guerra no sul e depois o clima armado, se não para o golpe, mas fácil para os “Donos do Poder” voltarem.
Em tempo, semanas atrás uma analista do site The Nation disse na CNN: “Essa eleição será para definir se somos um império ou uma democracia", o falcão do lado dela avançou feito cobra sobre ela, na hora. Mas gostaria de deixar registrado aqui a coragem da jornalista e também a ingenuidade quanto à colocação, de repente pode ser um começo, mas o Prof. Noam Chomsky pensa diferente dela.
Uma charada provocativa sobre o conservador do Lula para você:
O Lula é o Obama com diploma de Harvard ou o Obama é e Lula sem diploma de Harvard?
Sds,
JSB

dbaskt disse...

True. If a brazilian that can read in english starts reading news papers of USA like New York Times. And then in the other day he take a look at Estadão or Folha de São Paulo he will see that most of the international news are taken from those NYT and others. Logo as matérias internacionais, tiradas destes grandes veiculos internacionais, nunca tem um ponto de vista ou enfoque relacionado com a realidade brasileira.

www.locupletado.wordpress.com

gostei do artigo no Estadão...

Na Prática a Teoria é Outra disse...

A minha impressão é que jornais como a FSP simplesmente desistiram de ter noticiário internacional.Em alguns casos essa carência pode ser suprida pelas traduções, mas, e no caso do noticiário sul-americano? Nós é que deveríamos produzir essas notícias, para posterior tradução mundo afora.