quinta-feira, 5 de julho de 2007

Um dos grandes escritores de hoje nos dias de hoje


Blogueiro itinerante fica meio paradão. Ainda mais com a pasmaceira do internet aqui em Paraty, onde estou agora.
Ontem de manhã, esperando no Galeão as malas do vôo que me trouxe de Paris, reconheci J.M. Coetzee, vindo no mesmo avião na ponta da mesma esteira. Como a coisa estava demorando, puxei papo com ele. Tietagem às 5 da manhã, acompanhada de uma oferta de ajuda no solo brasileiro, não é assim tão grave e ele conversou à vontade. Vinha da região de Toulouse, no Sul da França. Quando eu disse que era professor em Paris, ficou muito interessado em saber as reações dos estudantes e dos professores sobre as propostas de reforma universitária de Sarkozy. Pareceu-me bastante informado sobre este e outros assuntos da França, Argentina, Austrália (onde mora). Contei pra ele que há uns dias, no final de uma correção de provas de fim de ano universitário, disse para os 3 monitores que trabalham comigo que estava vindo para a Flip, Paraty, que Nadine Gordimer e ele estariam aqui, etc. Aí, um dos monitores, um carinha jovem, sacou do bolso um livro dele, Coetzee. Ele deu um sorriso feliz, contentão, ali no meio do giro das malas. Hoje, às 5 da matina, em Paraty, sem sono por causa do jet-lag, vim vaguear no salão da pousada e dei de cara com ele de novo: estamos hospedados no mesmo lugar e ele também estava atrás do internet. Conversamos um pouco. Mas daqui em diante recolho-me à minha insignificância e dou apenas um olá de longe: o homem me parece já estar meio farto de assédio e entrevistas: é duro ser prêmio Nobel e um dos grandes escritores de hoje nos dias de hoje.

7 comentários:

André Sekkel disse...

Sair do Brasil, dar aula na França, ser convidado para a falar na FLIP, conversar com pessoas interessantes, viajar e conhecer pessoas e lugar legais...
Estudo para um dia poder fazer tudo isso!
Alencastro, acho que um dia, não muito próximo, mas também não muito distante, você dará aula para mim.

Márcia W. disse...

Flip, pararará pararará, marcadores: Brasil, cachaça, ai, saudades de Paraty....Boas letras lhe cerquem!

Irrevelâncias disse...

Confesso que estava em vias de ir a Paraty, mas desisti, tenho certa implicância com locais cheios de gente pretensamente "interessante" ou simplesmente cheios. Mas o que o historiador fazia lá?

Joselito Jesus de Araujo disse...
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Joselito Jesus de Araujo disse...

Luiz, imensa foi a satisfação que senti ao encontrar esse seu espaço pelo blog de um amigo. Admiro os seus escritos, misto de filosofia e aulas de História, desde os tempos da páginas de Veja. Agora quero virar visitante diário desse sítio. Também tenho o meu cantinho, escrito sem pretensões maiores, do qual, pela ajuda e bondade dos amigos, já retiraram dois livros editados em papel. Bom, mas fã mesmo eu sou seu.

eugenia zerbini disse...

Graças à FLIP descobri seu blog. Há anos, sou sua admiradora. Cito sempre sua afirmação de que a elite brasileira é uma elite de tráfico negreiro, completando com sua explicação de que apesar dos vários desdobramentos (industrialização, por exemplo), a ideologia continua a mesma:um ônibus não muda o trajeto porque os passageiros sobem e descem. Tenho amigos que citam "o ônibus da Eugenia", mas sempre corrijo e digo que a tese é sua, o ônibus é seu.
Serei frequentardora. Abraços da Eugenia Zerbini

Anônimo disse...

Achei a sua palestra uma das mais interessantes da FLIP. Queria te dar os parabéns aqui. Fiz inclusive um comentário sobre ela no meu blog: http://ecarvalho.typepad.com. Espero que goste da cobertura que fiz da Flip também. Abraço - Eduardo