sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Jornais boreais III


A notícia saiu ontem no Libération. Na première mundial do documentário franco-austríaco La mémoire des enfants, no 14° Festival do filme judeu, em Viena, ocorreu um pequeno escândalo. Um texto da embaixada francesa, patrocinadora do Festival, omitiu a frase do anúncio do filme que evocava as « 11.400 crianças judaicas da França entregues aos nazistas pelas autoridades francesas e assassinadas em Auschwitz”. Houve protesto de Thomas Draschan, co-realizador do filme ao lado de Hannes Gellner. Vamos ver no que vai dar. Talvez o Le Monde retome o assunto mais adiante.
De Gaulle, de Pompidou, de Giscard d’Estaing e de Mitterrand, consideravam o regime de Vichy e a França de Pétain, como um govêrno ilegal. Rompendo com esta interpretação, o presidente Jacques Chirac reconheceu, em 1995, a responsabilidade direta do Estado francês na deportação dos judeus franceses e estrangeiros residentes na França na Segunda Guerra. Segundo ele, isto fundamentava uma « dívida imprescritível » do Estado francês vis-à-vis das vítimas do nazismo e de seus herdeiros. Em consequência, as escolas de Paris passaram a ter, na sua porta de entrada, uma placa de mármore preto com os dizeres :
« À memória dos alunos desta escola, deportados de 1942 a 1944 por terem nascido judeus, vítimas inocentes da barbárie nazista e do govêrno de Vichy – Não os esqueçamos». No caso das escolas do meu quarteirão a placa tem outra precisão : «Mais de 1.200 crianças do 11° arrondissement foram exterminadas nos campos da morte ».
Não obstante, o drama continua meio recalcado na França, como o demonstra a mancada da embaixada francesa na Aústria.
P.S. – Nas minhas andanças de bicicleta, notei que o enunciado das placas de mármore varia um pouco. Algumas são mais explícitas e falam da « cumplicidade ativa do govêrno de Vichy » com os nazistas. Uma hora destas volto ao assunto aqui. Com fotos e tudo.

4 comentários:

Gil disse...

O que adianta exatamente isso?

Anônimo disse...

Sempre achei os franceses racistas.

Gilberto

Ana Lucia Araujo disse...

Um assunto interessante também é o caso de Bordeaux. Assisti à uma apresentação outro dia, comparando Québec e Bordeaux, onde o autor falava do passado glorioso de Bordeaux no século XVIII. Em nenhum momento ele mencionou que o tal passado glorioso era estreitamente associado ao tráfico de escravos...Um abraço.

Gerd Klotz disse...

Prezado Felipe:

Apesar do nome de origem alemã, sou um papa-siri de Itajaí, como você,o que muito nos orgulha.
Soube de teu blog no último sábado por meio de um amigo, Osmar Schroeder (um intelectual auto-didata), e já no domingo o Conversa Afiada do Paulo Henrique Amorim, destacava um texto teu.
Agora a pouco escrevi em meu Blog (sou um aprendiz de blogueiro bem ruinzinho...mas aprenderei a utilizar os recursos disponíveis) sobre a ausência de calçadas em Itajaí e a importância de caminhar e andar de bicicleta e citei a europa onde é hábito, o que aqui é para a nossa elite "coisa de pobre". Aí leio em um dos teus textos referência que você faz a um deslocamento de bicicleta.
Vou utilizá-lo como exemplo, tudo bem?
Sinta-se abraçado pela Foz do Rio Itajaí Açu!
Gerd